Resenha: A revolução dos bichos

George Orwell, tradução Heitor Aquino Ferreira; posfácio Christopher Hitchens. – São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2007. ISBN: 978-85-359-0955-5

Sinopse: Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan ”Quatro pernas bom, duas pernas ruim”.
Mas não demora muito para que alguns bichos – em particular os mais inteligentes, os porcos – voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema ”Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força.
Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura stalinista que a inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu.

Cansados de serem explorados pelos humanos e estimulados pelos porcos, os animais da Granja do Solar fazem uma revolução e expulsam os humanos da granja. A granja passa então a se chamar Granja dos Bichos onde todos trabalhariam por igual, sem nunca serem explorados ou passarem fome, vivendo em paz sob as regras que chamaram de Animalismo. O animalismo pode ser resumido pelo slogan ”Quatro pernas bom, duas pernas ruim”, o que ilustra o sentimento de desprezo dos animais para os humanos.

Aos poucos, alguns bichos mais inteligentes – os porcos – vão mudando e alterando a paz para os animais, trazendo novamente o regime de opressão que antes existia. Os animais agora trabalhavam em dobro, passavam fome e não podiam reclamar ou eram silenciados. A obra, escrita em 1945 (fim da Segunda Guerra Mundial) é uma metáfora que satiriza a ditadura stalinista.

O objetivo do autor era escrever uma história simples para que todos entendessem o significado. E ele conseguiu. As atitudes de alguns animais da Granja dos Bichos são fáceis de relacionar com figuras da União Soviética. As execuções em massa, a morte de Sansão que trabalhara até morrer, Napoleão representando Stálin e o perseguido Bola-de-Neve como Trotski.

George Orwell viveu entre 1903 e 1950, quando morreu de tuberculose. Em vida, Orwell foi escritor, jornalista, socialista e também serviu na Polícia Imperial Indiana. George Orwell, ao escrever A revolução dos bichos procurava denunciar o mito soviético. Sobre isso ele disse:
”Pensei em denunciar o mito soviético numa história que fosse fácil de compreender por qualquer pessoa e fácil de traduzir para outras línguas. No entanto, os detalhes concretos da história só me ocorreriam depois, na época em que morava numa cidadezinha, no dia em que vi um menino de uns dez anos guiando por um caminho estreito um imenso cavalo de tiro que cobria de chicotadas cada vez que o animal tentava se desvair. Percebi então que, se aqueles animais adquirissem consciência de sua força, não teríamos o menor poder sobre eles, e que os animais são explorados pelos homens de modo muito semelhante à maneira como o proletariado é explorado pelos ricos.”

Antes de ser publicado, A revolução dos bichos foi rejeitado por vários editores pois a sátira presente na obra era clara e em 1945, os soviéticos eram aliados dos Estados Unidos e Inglaterra na luta contra o nazismo. Anos depois com a Guerra Fria e a bipolarização do mundo em Capitalismo versus socialismo, os capitalistas usaram a obra para disseminar o anticomunismo. Vale lembrar que Orwell se declarava socialista e sua obra foi usada pelos capitalistas de maneira errônea.

Hoje a obra é considerada um clássico e continua bastante atual apesar de ter sido escrita a mais de 50 anos. A mensagem que o autor quis passar é clara: o poder pode correr uma pessoa, um ideal, uma filosofia.

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