Uma breve reflexão sobre 13 Reasons why

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Os 13 Porquês é a nova série da Netflix inspirada no livro de mesmo nome escrito pelo Jay Asher e publicado no Brasil pela Editora Ática. Acompanho as especulações sobre a adaptação do livro desde que o li lá pelos meus 13, 14 anos, quando os boatos era de que a Selena Gomez seria a protagonista. A adaptação acabou se transformando numa série da Netflix com 13 episódios. Estreada na última sexta-feira, 31/3, Os 13 Porquês caiu no gosto da maioria dos adolescentes e jovens adultos, sendo muito comentada nas redes sociais.

A série  é protagonizada por Hannah Baker, uma garota do segundo ano do ensino médio que comete suicídio. Antes de tirar sua vida, Hannah gravou fitas contando a sua história e os motivos pelo qual escolheu deixar de viver, deixando-as para as pessoas que causaram isso. Cada fita envolve uma pessoa e como ela foi responsável pela decisão de Hannah de cometer suicídio.

O motivo de eu estar escrevendo esse texto não é pra divulgar a série mas fazer uma leve crítica às pessoas que assistiram. Não vou focar no suicídio mas nos pequenos motivos que o antecedem. O que eu percebi nas redes sociais foi um grande aumento de ”textões de facebook” falando sobre como as pessoas se identificaram com a Hannah.

Primeiramente, a série é bem pesada para quem sofre de depressão. Não recomendo pessoas com a mente frágeis assistir. Foi pesada para mim que tenho grande sensibilidade a esses assuntos então nem imagino o quanto deva ser perigoso alguém que sofra de algum problema mental assistir uma série como essa.

Se mesmo assim você queira assistir, tome cuidado. A série é para pessoas que não entendem o que se passa na mente de uma pessoa suicida. É para conscientizar sobre as consequências que o bullying pode causar nas vidas das pessoas. Para tirar da mente das pessoas aquelas respostas do tipo ”É frescura” ou ”Você é muita dramática” e até ”Mas você já tentou não ligar pra isso?”. Ainda haverá gente que falará esse tipo de coisa depois de assistir? Sim, com certeza. Mas não é sobre essa gente que eu quero falar….

Para quem não sabe e isso é um spoiler, Hannah cortou os pulsos e sangrou até a morte por uma série de motivos que pareciam pequenos mas que juntos formaram uma bola de neve que acabou com o psicológico dela. Muitas pessoas se identificaram com isso. Com os pequenos motivos que os deixaram para baixo em algum momento e que ainda os assombram. Se identificaram com a dor da Hannah, com as razões bastante comuns que adolescentes e jovens adultos vivenciam diariamente na vida.

Ao meu ver, essa é a mensagem que a série passa. Que você não sabe o que a pessoa ao seu lado está passando, você não pode ter ideia de como algo banal pra você pode ter grande importância na vida de alguém. Ninguém pode ter noção do esforço que uma pessoa pode estar fazendo nesse exato momento para estar ali e com uma palavra você pode destruir tudo.

Voltando aos textões de facebook, li algo que me chamou bastante atenção. Uma moça, cujo nome obviamente não será citado, postou uma crítica sobre as pessoas conhecidas terem se identificado com a história da Hannah. No seu texto, ela criticava ironicamente colegas de ensino médio e fundamental terem se identificado com a Hannah uma vez que, para ela, essas pessoas foram um dos seus porquês.

Vamos enfatizar uma coisa: ninguém sabe o que o outro passa. Não existe ser humano perfeito. Sua dor não é maior do que a de ninguém. Cada um lida com as coisas do seu jeito. Em algum momento da vida, nós já fizemos algo que magoou alguém. Podemos não ter consciência disso, mas já magoamos alguém com nossa palavras, gestos, decisões ou sabe Deus o que. Somos humanos.

Entenda que, a pessoa que magoou você pode ter sido magoada por outra pessoa.

Você magoou outra pessoa.

Essa outra pessoa magoou outra.

Se tornou um ciclo sem fim.

Ninguém sabe onde começou nem onde termina.

Pare de monopolizar a dor.

Os níveis de dores.

Os motivos pelos quais alguém chegou a isso. Tenham empatia.

O que eu estou querendo dizer é: não sejam hipócritas de achar que um dos ”seus porquês” também não tem uma lista de ”porquês”. O universo está aí para trazer de volta tudo o que demos a ele. Magoamos alguém? Pode ter certeza que alguém nos magoará. Amamos alguém? Alguém nos amará. É a lei do retorno.

Todos temos nossos porquês.

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