Resenha: A casa de Hades

img_1302A casa de Hades é o quarto livro da série Os heróis do Olimpo, escrita pelo Rick Riordan e publicada no Brasil pela editora Intrínseca. No volume anterior, A marca de Atena, os semideuses conseguem encontrar a estátua de Atena Paternos perdida mas Percy e Annabeth acabam caindo no Tártaro ao tentar recuperá-la. Ao começar a ler A casa de Hades ainda há o choque inicial da queda dos dois semideuses no lugar mais obscuro do mundo. Geralmente os livros do Rick seguem o mesmo padrão em todas as histórias mas por essa eu não estava esperando. Considero esse livro um grande diferencial na escrita do Rick, pois apesar de ainda conter os elementos clássicos presentes em todas as suas narrativas anteriores, nesse volume tivemos um salto grotesco na personalidade, nos conflitos internos e no desenvolvimento dos personagens.

            Um grande exemplo disso são os personagens Nico e Jason. Eu sempre gostei do Nico na série Os Olimpianos mas nunca imaginei que ele tivesse tantas dúvidas e segredos durante todo esse tempo. Saber o que se passava vagamente pela cabeça dele e como ele estava lidando com os fatos foi bem interessante. No caso do Jason, ele não sabe mais onde é seu verdadeiro lar, se ele quer ficar no Acampamento Júpiter, onde sempre morou ou ir pro Acampamento Meio-sangue e abandonar os romanos. Essas dúvidas são esclarecidas ao longo da história e garantem a aceitação do personagem, além do desenrolar das situações propostas na trama.

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                   Sem querer desmerecer a Piper, o Leo e a Hazel mas quem brilhou nesse livro foi o Frank. O desenvolvimento desse personagem também foi fenomenal. Ele passou de um ”personagem secundário” (porque para mim só existe Percy e Annabeth), para um verdadeiro guerreiro e líder. E não, isso não aconteceu do nada. A tragetória dele até a aceitação de que ele poderia liderar foi natural.

            Outro fator a ser ressaltado nesse livro são as cenas do Tártaro. A descrição do Tártaro foi tão detalhada que ficou incrível o quão perigoso e assustador era o desafio de fechar as portas da Morte. Pela descrição foi fácil sentir o pesadelo que estava sendo para Percy e Annabeth passarem por aquilo. Eles tiveram que enfrentar monstros impossíveis de serem derrotados pela força, além de ter que continuar em frente mesmo não conseguindo manter mais a esperança. Sentir o que se passava na mente deles, o quanto eles estavam sofrendo e o medo de perder um ao outro foram os melhores capítulos dessa história.

            Enquanto os dois tentavam chegar ao coração do Tártaro, os tripulantes do Argo II não estavam muito melhores. Eles estavam tentando chegar a Épiro para encontrar Percy e Annabeth e fechar os portões da morte, impedindo assim que os monstros saíssem do Tártaro mas como de praxe, tudo sempre dava errado. Além disso, para pressionar mais ainda nossos heróis, uma guerra estava para começar entre os Acampamentos Júpiter e Meio-sangue, o que levaria milhares de semideuses à morte.

            Ufa, quanta coisa, não é mesmo? Mesmo com o clima pesado do livro, a narrativa flui facilmente, os pontos de vista são alternados entre os semideuses, o que garante um suspense maior entre os plots Argo II e Tártaro e sem dúvidas, como sempre, o livro chega ao fim com aquele sentimento de quero mais. O quinto e último livro da série já foi lançado no Brasil e está ali na estante me esperando para ser devorado.

Títulos anteriores:

Série Percy Jackson e os Olimpianos

O ladrão de raios

O mar de monstros

A maldição do Titã

A batalha do labirinto

O último Olimpiano

Extras

Os arquivos dos semideuses

Os diários do semideus

Série Os heróis do Olimpo

O herói perdido

O filho de Netuno

A marca de Atena

A casa de Hades

O sangue do Olimpo

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Resenha: A Herdeira

Kiera Cass, São Paulo, Editora Seguinte, 391 páginas – 2015A herdeira

Sinopse: Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, a filha mais velha do casal. Criada para ser uma líder forte e independente, ela nunca quis viver um conto de fadas como o de seus pais. Por isso, antes de conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, a jovem está totalmente descrente. Mas, assim que a competição começa, a situação muda de figura, e Eadlyn percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto imaginava.

A herdeira se passa vinte anos depois do final de A Escolha e agora o casal de conto de fadas Maxon e America se tornam os coadjuvantes da história. No começo é difícil aceitar que os dois estão velhos, cheios de filhos, problemas e que mesmo tentando ser os melhores governantes que Illéa teve, eles estão encontrando muita dificuldade. Mais difícil ainda devido a protagonista Eadlyn, filha mais velha do casal e herdeira de acordo com as novas leis ser uma garota mimada, egoísta e irritante. Mas vamos relevar, Eadlyn nasceu com a responsabilidade de ser a Rainha, cresceu tendo que aprender sobre tudo e mais um pouco já sabendo o que viria no futuro enquanto seus irmãos não tinham que se preocupar muito com isso. Qualquer pessoa se tornaria um saco com esse peso nos ombros. Devido a isso, ela cresce sendo uma princesa dura, inteligente, independente e sem vontade alguma de se casar.

Voltando a falar do nosso casal 10, America e Maxon quando assumiram o trono aboliram o sistema de castas para acabar com o preconceito que existia nas pessoas. Por algum tempo isso deu esperança à população mas não adiantou. Mesmo vinte anos depois, o preconceito e a segregação entre castas continuava implicitamente. Revoltosos, o povo começava a se rebelar e enfrentar a família Real. Diante disso, para acalmar os nervos da população e distraí-los enquanto se pensava numa solução, a saída que encontram foi: Fazer outra Seleção.

Para quem achava que America e Maxon iam cumprir a palavra e não fazer outra Seleção: vocês estavam errados. Para não repetir o que aconteceu em A Seleção, colocaram a nada carismática Eadlyn para escolher seu futuro Rei. Assim, trinta e cinco homens escolhidos aleatoriamente vão para o castelo cortejar a princesa. Eadlyn, sem carisma nenhum tenta se livrar de todos os Selecionados para não precisar dividir o trono mas acaba reconsiderando em protelar ao máximo a Seleção para ajudar a família.AHERDEIRA

Outra coisa que me incomodou tanto nessa história quanto nas outras é que a Kiera apresenta um problema social e esquece ele pelo resto da história. Vinte anos atrás, os rebeldes simplesmente eram citados ou apareciam esporadicamente apenas pros leitores não esquecerem que havia algo ameaçando a realeza. Nesse livro foi a mesma coisa, no início tiveram alguns pequenos incidentes apenas para nos convencer que a Seleção era a solução e depois isso some da história. Mas para salvar a história, os Selecionados entraram em campo. Eadlyn ao conviver com eles, amolece mais o seu coração de gelo e até tenta se aproximar de alguns. Claro que trinta e cinco homens são bem diferentes e menos barulhentos e fofoqueiros que trinca e cinco mulheres mas eles tornam a história bem mais fácil e alegre de ler. Não tem como identificar quem a princesa vai escolher ou mesmo se ela vai escolher alguém, mas as opções são bem interessantes. Não há um romance fofinho como o da America e do Maxon mas depois que você se acostuma com isso, fica mais fácil entender a história.

Por fim, a história é legal, a leitura segue o mesmo padrão dos outros livros: simples, de fácil entendimento e flui tão suavemente que você só percebe que o livro acabou porque não tem mais o que ler.Aherdeira2

Novidades sobre a série 

Vai ter filme! Depois de toneladas de rumores sobre a adaptação de A Seleção para a televisão, a Warner Bros finalmente nos tirou do ”Será?”. O time que temos confirmados até agora são os produtores Denise DiNovi (Edward mãos de tesoura) e Alison Greenspan (Se eu ficar) e Pouya Shahbazian (Divergente), além de Katie Lovejoy como roteirista. Ainda é cedo pra dizer se a  adaptação vai realmente acontecer mas o primeiro passo foi dado.

Para ler a resenha do livro A Escolha, clique aqui.

Resenha: A Escolha

Kiera Cass, 351 páginas, São Paulo – 2014, Editora Seguinte, Título Original: The One

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Para quem não conhece a série, o enredo se passa em Illéa, uma monarquia dividida em Castas, onde o príncipe, por meio de um concurso chamado A Seleção deve escolher a sua esposa e futura Rainha entre as 32 selecionadas. America, a protagonista, é uma Cinco ou seja, está na casta dos músicos, artistas plásticos, fotógrafos e semelhantes, onde, apesar de não ser da Casta mais baixa – Os Oito – sua família sofre para se sustentar. America também esconde um segredo: é apaixonada por um Seis, um homem trabalhador que perdera o pai e tinha que trabalhar desde cedo para sustentar seus seis irmãos, Aspen Leger. Apesar das dificuldades de pertenceram a castas diferentes, o casal pretendia se casar, mas Aspen sabe que se casar com um Seis, America sofreria e termina com a garota.

America, mesmo sem ter interesse em se tornar princesa, se inscreve a pedido da mãe no concurso e para sua surpresa é uma das selecionadas. Magoada por seu amor, ela decide ir ao castelo aproveitar as mordomias até ser eliminada, o que inesperadamente, demora a acontecer. America então se vê criando uma paixão pelo príncipe Maxon e gostando do rumo que as coisas iam, mas então Aspen aparece no castelo como soldado e seus sentimentos viram de ponta cabeça.

Estava cansada da competição. Precisava terminar de vez com Aspen. Lutaria por Maxon.

aescolha2Para começar, devo dizer que a série inteira é uma leitura ótima, a Kiera Cass escreve de modo que a leitura flui facilmente, mas o final foi típico de contos de fadas. Não me surpreenderia se a Disney fizesse uma adaptação para os cinemas, na verdade adoraria. Não que terminar com finais felizes seja ruim, mas foi óbvio demais. Em A escolha, só restam quatro selecionadas e a cada dia o Rei pressiona mais Maxon a acabar com a Seleção. Os rebeldes que eram muito citados nos livros anteriores agora estão presentes de verdade na estória e para mim, que esperava algo grandioso dos rebeldes fiquei decepcionada. Apesar de conhecermos um pouco mais dos rebeldes do Norte e alguns de seus integrantes, continuamos sem conhecer ninguém dos rebeldes do Sul, que eram os que faziam a ação acontecer. Os rebeldes foram jogados na estória de forma muito superficial.

A Escolha em si, é mais focada no romance de Maxon e America e no amadurecimento desses personagens. Desde o começo vemos que Meri não quer deixar ser consumida pelas regras do Rei e apesar do medo, fica claro que ela não vai fazer o que não se sentir à vontade. Estejam preparados para a Condenação, foi a melhor parte do livro. Maxon, apesar de algumas atitudes dele serem irritantes, finalmente mostra potencial para ser um Rei de verdade, o que demonstra claramente seu amadurecimento. Para mim, America e Maxon se completam, um se apoia no outro em decisões e desafios e isso é algo muito bonito, pois vemos a estória se desenvolvendo para o grande final de conto de fadas. Em relação a Aspen, achei o desfecho que criaram para ele muito forçado, para quem antes dizia amar incondicionalmente, ele até que a esqueceu bem rápido, mas pelo menos não mataram ele só pra America ficar com o Maxon por ser a única opção.aescolha3

Como um todo, a série é ótima e deliciosa de ler. A capa é maravilhosa, a revisão foi perfeita e não tem a aquela folha branca que dói os olhos ao ler. Ouvi por aí que a Kiera Cass vai escrever um conto intitulado de A Rainha e eu estou ansiosíssima para ler. Acho que todos estão curiosos para saber como nossa America vai se comportar como rainha, né? Um ótimo conto de fadas moderno, com muito romance, ação e tensão política.